O ser busca outro ser, e ao conhecê-lo
Acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
Que à vida imprime cor, graça e sentido
" Amor " - eu disse - e floriu uma rosa
Embalsamando a tarde melodiosa
No canto mais oculto do jardim,
Mas seu perfume não chegou a mim.
sábado, 7 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Ramos
amar é a cheia dos rios
onde o ramo se derrama
a maré cheira a rosas e sal
onde o mar beijareia,
as mágoas do mar
são águas demares p’ra esquecer
amor é cheia de rio
plenitudo de nós
...teu nome escrito na areia
o mar vem e releva,
leve traz a cheia
e leva o amor e deixa o sal.
As mágoas do rio chegarão um bem maior que o mar
e escreverão na areia alguns nomes do amor,
à beira-de-amar
onde o ramo se derrama
a maré cheira a rosas e sal
onde o mar beijareia,
as mágoas do mar
são águas demares p’ra esquecer
amor é cheia de rio
plenitudo de nós
...teu nome escrito na areia
o mar vem e releva,
leve traz a cheia
e leva o amor e deixa o sal.
As mágoas do rio chegarão um bem maior que o mar
e escreverão na areia alguns nomes do amor,
à beira-de-amar
Tiago Abreu
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Tiago Éric de Abreu
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
as lágrimas de Heráclito
...o riso, se é pouco, passa; se é muito ofende. (Plutarco)
Não residem as lágrimas só nos olhos, que vêm os objetos, mas nos mesmos objetos, que são vistos; ali está a fonte, aqui está o rio; ali nascem as lágrimas, aqui correm...
Eram as lágrimas de Heráclito, como a água, que caindo pouco a pouco, vai limando suavemente os mármores, e enfim os rompe.
As lágrimas… são sangue da alma; e este… é que lavra os diamantes
...este rio, umas vezes caminha descoberto, outras, se oculta por debaixo da terra, mas sempre corre: as lágrimas plebéias deixam-se ver
Nasce o homem... já chorando, e sem outra culpa mais que haver nascido, fica condenado a perpétuo pranto, começa a vida e o pranto juntamente; para que saiba que se vem a este mundo vem para chorar. O mais aprenderá depois, porque é arte; para o pranto já nasce ensinado, porque é natureza.
A dor moderada solta lágrimas, a grande as enxuga, as congela e as seca. Dor que pode sair pelos olhos não é grande dor.
...a alegria excessiva faz chorar, e não só destila as lágrimas dos corações delicados e brandos, mas ainda dos fortes e duros
[o filósofo] ria, mas ironicamente, porque seu riso era nascido de tristeza... eram lágrimas transformadas em riso por metamorfose da dor
[conta-se que um antigo rei do Egito] perdendo seu reino, viu em primeiro lugar suas filhas vestidas como escravas e não chorou, viu depois seu filho primogênito descalço e carregado de ferros com as mãos atadas e um freio na boca e não chorou; e vendo este mesmo [rei] e com o mesmo coração, que um seu antigo criado pedia esmola, derramou infinitas lágrimas.
“Todos os acontecimentos... estão devidamente encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um lindo castelo, a pontapés no traseiro... se a Inquisição não te houvesse apanhado, se não tivesses percorrido a América a pé, se não tivesses mergulhado a espada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros da boa terra do Eldorado, não estarias aqui agora comendo doce de cidra e pistache.
- Tudo isso está muito bem dito - respondeu Cândido, - mas devemos cultivar nosso jardim.”
(Voltaire)
…
[Padre Antônio Vieira – as lágrimas de Heráclito]:
Aqueles mesmos que mais se riem por fora, mais choram por dentro.Não residem as lágrimas só nos olhos, que vêm os objetos, mas nos mesmos objetos, que são vistos; ali está a fonte, aqui está o rio; ali nascem as lágrimas, aqui correm...
Eram as lágrimas de Heráclito, como a água, que caindo pouco a pouco, vai limando suavemente os mármores, e enfim os rompe.
As lágrimas… são sangue da alma; e este… é que lavra os diamantes
...este rio, umas vezes caminha descoberto, outras, se oculta por debaixo da terra, mas sempre corre: as lágrimas plebéias deixam-se ver
Nasce o homem... já chorando, e sem outra culpa mais que haver nascido, fica condenado a perpétuo pranto, começa a vida e o pranto juntamente; para que saiba que se vem a este mundo vem para chorar. O mais aprenderá depois, porque é arte; para o pranto já nasce ensinado, porque é natureza.
A dor moderada solta lágrimas, a grande as enxuga, as congela e as seca. Dor que pode sair pelos olhos não é grande dor.
...a alegria excessiva faz chorar, e não só destila as lágrimas dos corações delicados e brandos, mas ainda dos fortes e duros
[o filósofo] ria, mas ironicamente, porque seu riso era nascido de tristeza... eram lágrimas transformadas em riso por metamorfose da dor
[conta-se que um antigo rei do Egito] perdendo seu reino, viu em primeiro lugar suas filhas vestidas como escravas e não chorou, viu depois seu filho primogênito descalço e carregado de ferros com as mãos atadas e um freio na boca e não chorou; e vendo este mesmo [rei] e com o mesmo coração, que um seu antigo criado pedia esmola, derramou infinitas lágrimas.
...
“Todos os acontecimentos... estão devidamente encadeados no melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um lindo castelo, a pontapés no traseiro... se a Inquisição não te houvesse apanhado, se não tivesses percorrido a América a pé, se não tivesses mergulhado a espada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros da boa terra do Eldorado, não estarias aqui agora comendo doce de cidra e pistache.
- Tudo isso está muito bem dito - respondeu Cândido, - mas devemos cultivar nosso jardim.”
(Voltaire)
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Tiago Éric de Abreu
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
"Estava cansado de si mesmo, dos seus estéreis pensamentos e visões. A vida, um poema?... Não quando se passa a vida a poetar em vez de vivê-la. Como ficava oca, então, como ficava vazia, vazia! Essa perseguição constante do próprio eu, no rastro das próprias pegadas - e em círculo, naturalmente... Essa comédia simulada: Fingir que se atira à corrente da vida e ao mesmo tempo ficar ali agarrado ao anzol, pescando-se a si próprio neste ou naquele curioso disfarce... Ah, se a vida quisesse submergi-lo... A vida, o amor, a paixão, de modo que ele não mais precisasse poetizá-la, porém apenas - em estado de poesia - vivê-la!"
"Toda aprendizagem é uma época de clausura"
(Rainer Maria Rilke - Cartas a um jovem poeta)
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Tiago Éric de Abreu
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Libido
matéria, energia,
o toque sutil do ar que envolve a criatura
desperta a força que mora sob a pele
na planta do pé de árvore há vida,
há uma fruta caída
no cio do jardim
longe do alcance do tato inato
ainda intocada pelas mãos dos filhos de Adão
desde quando aconteceu a queda,
a primeira sensação
o toque sutil do ar que envolve a criatura
desperta a força que mora sob a pele
na planta do pé de árvore há vida,
há uma fruta caída
no cio do jardim
longe do alcance do tato inato
ainda intocada pelas mãos dos filhos de Adão
desde quando aconteceu a queda,
a primeira sensação
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Tiago Éric de Abreu
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