Fotos: Taty Coelho.
domingo, 28 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Chão
Na terra vermelha
a oração do louva-deus
comove as gotas do orvalho
os mitos do mato:
silêncio e realeza
em toda certeza fica sempre uma pergunta em aberto
no cerne do sonho
a carne da tribo
a onda se levanta
e tomba na praia
o lírio branco deita-se na relva
aprecia o inestimável instante raro:
o tempo não passou: foi só a flor, em botão, que se abriu
E o Serafim nas matas canta aleluias
e nas lendas do formigueiro brotam asas
e carregam os sonhos da terra mundo adentro
T. Abreu
Postado por
Tiago Éric de Abreu
Terra
Onde o futuro mora?
Onde estará ele agora?
Serras, nascentes das minas
Água, ventre, fontes
Derramam seus ramos raros
Tesouro é ver o sol
Em sua dourada aquarela
Cá estamos nós, de pé no chão
Frutos da vida silenciosa,
A vida, mãe e ceifeira,
espalha nossas vozes...
nós, as crianças da estação...
Nós, aves migrantes,
Terras desconhecidas:
O ermo que somos
Abri mão da esmeralda;
guardo o elo
o esmero e a amada.
Eu vi o futuro:
ele é uma mão aberta
misturando os tempos
o antes e o durante
(o suor do diamante)
Levados ao fogo-vivo:
Etéreo pretérito redivivo a recém-nascer de novo no tempo
vindouro.
O que está
porvir
é o que
é
o que
Vir-A-ser
T.E.A
Postado por
Tiago Éric de Abreu
sábado, 12 de janeiro de 2013
Encadeia
Um poeta contemporâneo foi condenado
por dizer coisas indizíveis
e revelar segredos da alcova
sobre o casamento do Céu e a Terra
Seus crimes:
o maior de seus pecados foi
falar de amor, crime inafiançável
Sua pena:
o poeta foi condenado a ser livre,
e a prestar serviços à comunidade,
de livre e espontânea vontade:
Pela ordem da justiça interna de sua consciência
teve de confessar à força em praça pública
sua ousadia de ser sincero consigo mesmo
Porque nesses tempos de redes e enredos
Ele fundou sua Religião da Luz e adorou o Sol
- mãe de toda manifestação verossímil - visível e invisível
Ele, discípulo dos rios selvagens,
Retratou-se perante os universos:
Cantou em voz alta e clara, para todo mundo ouvir
diante de todos, em alto e bom som,
de muito bom gosto uma canção de amor,
como há tempos não se ouvia nas Américas.
Tiago Abreu
e livre
Postado por
Tiago Éric de Abreu
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Ar
Nem sequer uma flor cai na terra
sem que o vento o saiba
sem que o vento o saiba
Tiago Abreu
Postado por
Tiago Éric de Abreu
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Rosa-dos-ventos & Redemoinho
Biruta era um menino fora de órbita.
Desfrutava da natureza em seu bojo,
e as delícias da terra cedo abriram caminho
no tato e no paladar, nos seus olhos de ver o invisível...
... e a memória-de-além, sob a poeira do tempo,
nos retratos diluídos de eras antigas, trazia
de volta o cheiro da terra úmida de chuva...
As meninas de tranças rodopiavam no chão de terra batida
a cantar cirandas inesquecíveis nas manhãs de Primavera...
Meninos corriam pelos campos, livres veredas verdejantes,
Colhendo o mel bruto na fonte, cantando charadas ao vento
De onde vindes? Para onde ireis? – perguntou-lhes o Vento.
Nós viemos do ninho. Vamos buscar a terra bem-aventurada,
e lá aprender a voar com os pés no chão, e ver de olhos
fechados;
E tu, Vento, de onde vens, para onde vais?
Venho dos Vales da Vida e estou indo para perto da lonjura
Sou o mensageiro dos grãos, dou força e movimento às estações
Sou as ondas do sopro primitivo, antigo invocador da chuva
Moro entre as rodas d’água do mundo verde-marrom-azul
E quando chegar a Primavera eu serei visível nas copas e na capoeira...
Rosa-dos-ventos chegou, veio indicar a direção do Infinito
Trouxe consigo a vitória, pra acordar o mundo do sono
profundo;
E interveio o Vento pra mudar o rumo da história, trouxe
novas cores na aquarela...
Rosinha brincava na plantação de morangos, ela viu o pássaro
azul;
O nunca-antes-visto aroma-de-vida-nova, com gosto de Nova-Erva
O bálsamo no ar presente como alma excelsa, ou aparição de
anjo altíssimo,
A prosperidade
e afortunada bem-aventurança, na formosura das asas-de-fada,
Pressentiram todos os que juntos miraram o futuro,
de mãos dadas entre as estrelas
de mãos dadas entre as estrelas
E as crianças crescem sempre; quando chegarmos
guardaremos a chave a sete chaves
guardaremos a chave a sete chaves
E os campos em flor cantam aleluias ao milagre do Sol;
e na saliva a seiva sacia a sede,
e na saliva a seiva sacia a sede,
Salve os sãos! e que os insanos alcancem o fogo que procuram.
Entrego esta oração à Divina Criança, que corre com o vento
no Vale da boa-ventura.
Era uma vez o Biruta,
Era lunático e, ainda assim, lúcido.
Aonde quer que soprasse o vento, ia.
Mudava com as fases da Lua;
Era Filho do Fruto a bendita cria.
Tiago Abreu
Postado por
Tiago Éric de Abreu
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Conto de amor entre uma Tao de Terra e o Sohm do Universohm
Ah, eu ouvi o chamado da açucena em campo aberto
Onde voa o grito;
Eu vi a fonte secar,
fui testemunho do horizonte diante do sol que nascia
naquela época de
raras pedras preciosas
naquela época de falsos brilhantes
e os pés de nem-tudo-que-reluz-é-ouro floriam
à sombra do comigo-ninguém-pode
ela disse “vem, vem pra encosta comigo,
só quem corre o perigo não corre de medo”
amanhã os cajueiros serão flor
e as nuvens acumuladas
contarão o fim da história e haverá chuva para todos
...”era uma vez, no fim da estrada, havia
uma porta só de entrada para o Templo do Tempo-Sem-Volta
Lá, quem adentra pode contemplar
(a saudade do futuro)
E provar momentos passados gota-a-gota
Quem medita na câmara de Jade do Templo-fora-do-tempo
Adentra um labirinto, um
Caminho aberto em-plena-rocha
que é o mapa esculpido em tamanho real
pelas escolhas feitas no caminho que tomou
na vida até agora.
O agora é árvore crescida, enraizada nas entranhas
cavernosas
da noite de inocência dos atos sem-querer-querendo
Alguém nasce ninguém, e cresce erva,
e luta com espinhos e se torna veneno
e enfim, flor. Nutre-se de sol até secar
Depois é após, é queda das folhas (Outono íntimo)
É o que será de nós quando não houver mais nós;
E não seremos mais... nem menos, nem tampouco muito...
Como seriam os encontros
Quando não houvesse mais eu, você;
Quando fôssemos apenas nós – encontro de águas, foz?
Sem forma, inconformados, sem tamanho nem dimensão,
e ao mesmo tempo abrangendo da atmosfera o espaço,
Luz que navega em
microscópico mar...
Imensidão tamanha seremos, o pensamento do infinito,
A voz do eixo,
De todos os centros,
o centro,
O som primeiro
A constelação-mãe
O constante e
sempiterno timbre
do carro-de-bois calmamente
subindo a Serra cósmica da sempreviva-terra-sideral
Céu olhou nos olhos de Terra
e se enamoraram...
sempre que Céu beija Terra, chove
Nenhum, não é outro
senão aquele mesmo que só ele é
e que ele não seria se fosse
algum outro
Todos, são inteirezas,
jardins regados ao orvalho d’ouro transmutado,
Onde cada folha é uma terra
desconhecida,
e cada ruflar de asas da
mariposa noite a dentro
é sussurro lançando segredos
ao vento
Lá, o arquirrefúgio
onde se fundem o Barro e o Mercúrio.
Aqui, o mergulho-nas-areias-do-tempo.
Onde nos movemos
inacabados, esboços de motivos sem razão,
Somos o por-que-não da
resposta astuta
e, às vezes, espaços
abertos na história
esperando com esperança
alguém para chamarmos de Destino.
O Talvez é música onde
a imaginação convida e o pensamento dança
Onde brotam mitos
e os velhos heróis
morrem.
Filho da Fonte, Fruto
dos Fatos,
Fenômeno acontecido do
auto da vida,
O pensamento é paisagem
verdejante
e tenebroso pântano;
Lá viceja a flora dos
sãos, mas também
Lá, as bestas devoram
com promessas e dentes de ilusão
Filho da Fonte,
Na hora mais escura da
noite
Abre espaço, abre um
caminho avante
Vai com o Vento- Leste
Anuncia aos quatro
cantos do mundo
O milagre do
Solnascente
E quando o céu descobrir
a terra,
desperta em pele-nova,
em plena Novaera na sua Casa-na-Copa-da-Árvore-da-Vida
Tiago Abreu.
Postado por
Tiago Éric de Abreu
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